Alguns textos bacanas lidos na internet ultimamente fazem uma reflexão sobre os lados bom e ruim da web. É mais ou menos como a frase: “Eu tenho uma notícia boa e uma ruim”. Qual você quer primeiro?
A boa: Trata-se da nova revolução industrial a partir da disponibilidade de hardware e software livres. Esta matéria fala do livro Atoms Are the New Bits, a ser lançado em breve, escrito pelo editor da Wired, Chris Anderson.
Além de editor, o cara é empreendedor. Ele é sócio da DIY Drones, empresa construtora de aeromodelos não tripulados. Vale a pena dar uma olhada no site. Uma das coisas mais importantes que diz na entrevista refere-se ao tipo de empresa autofinanciada (sem investidores): “Muitas pessoas acreditam em autofinanciamento. Além disso, queríamos manter o controle. Não queríamos investidores nos pressionando a fazer coisas que não queríamos fazer. Por fim, não precisávamos. Temos um processo de desenvolvimento bem barato, com hardware de código aberto. A pesquisa e desenvolvimento é feita pela comunidade, de graça. O modelo é bem eficiente.”
Recentemente, em conversa com meu irmão, falávamos justamente das novas possibilidades criadas pelo código aberto e a facilidade de se comprar um hardware para produção de… qualquer coisa. Graças a plaformas como a Arduino, está bem mais fácil uma pessoa comum com ralo conhecimento em programação desenvolver um eletrônico para qualquer funcionalidade. Desde um protótipo para apenas acender as luzes de casa a coisas mais complexas como esses aeromodelos sensacionais. Isso porque o Arduino é facilmente integrado ao Android, por exemplo. Dessa forma, do seu celular seria possível acender a luz da sala da sua casa ou abrir o portão da garagem.
E as oportunidades estão por aí. Quem abraçar primeiro tem mais chance de se dar bem. Com um projeto bem acabado, é possível oferecê-lo na internet em sites como o Kickstarter. Justin Jensen criou um slider para câmeras bem funcional, pequeno e barato (o sonho de toda produtora!) chamado CineSkates Camera Sliders. Botou o projeto no Kickstarter para que pessoas interessadas comprassem o produto antes mesmo de ser feito. Justin ganha folêgo para produzir a peça sem precisar do investidor padrão. A meta era atiginr 20 mil dólares, mas o valor alcançado já ultrapassa a casa dos U$ 250 mil.
Ainda no esquema produção de vídeos, uma galera vem conseguindo excelentes cenas de time lapse graças também ao Arduino. O controle do movimento da câmera em um período de tempo, ajustando foco, íris, iso etc. para chegar a um bom time lapse vem de projetos de hardware de código aberto. Com o equipo em mãos, uma galera faz festivais para promover e compartilhar a informação (nisso os americanos estão a mil anos-luz na frente dos brasileiros, que adoram esconder a informação).
Mas tudo isso tem um lado trágico, como não podia deixar de ser. Cada vez mais conectados, estamos delegando à internet e aos computadores nossas capacidades cerebrais. É disso que trata o livro ficcional The Imperfectionists, escrito por Tom Rachman: “daqui a dez anos, as maravilhas da tecnologia terão alterado ainda mais o nosso cérebro e o nosso próprio ser…”.
“Quando o assunto é comida, o exagero leva ao sobrepeso. No caso da tecnologia… leva a cérebros flácidos. Eles destacarão que os seres humanos de antes faziam mais do que simplesmente apertar botões à espera de recompensas – sua consciência era exigida, e não apenas satisfeita.”




